Uma coisa que tenho aprendido constantemente nessa minha viagem para dentro de mim mesmo através dos estudos é que
estudar é diferente de ler.
O ato de estudar obviamente abrange a leitura, mas é muito mais que isso. Comecei a percebê-lo ao iniciar o Curso de
Formação do Senso Incomum. Por isso ando demorando tanto para acabar um livro, mesmo sendo fino como o "
Como viver com 24 horas por dia". Deduzo, inclusive, que é por esse motivo que o autor deste livro recomenda expressamente que os romances, embora possam e devam ser lidos, não são recomendados para a hora do estudo. O estudo requer o aprendizado ou o reforço de vários conceitos, bem como anotações, repetição, prática, etc. , atitudes que são obrigatórias no estudo, mesmo de um livro de "apenas" 88 páginas como o "
Como viver com 24 horas por dia", e não na leitura de um romance.
Escrevi o que escrevi acima para justificar o porquê de ter demorado tanto para iniciar o segundo da
Lista Anti-Vagabundagem da Fundação Virtus: "
A educação da vontade", de Jules Payot, pedagogo e acadêmico francês.
Como vou levar os meninos no colégio e chego ao trabalho mais ou menos uma hora antes da hora de começar a labuta, elegi este horário como o ideal para meus estudos do meio de semana.
Comecei o novo livro ontem, 22/04. Descontando-se os 5 minutos de intervalo requeridos pelo método Pomodoro (
falo do método aqui), calculo que empreendi exíguos 50 minutos no estudo. Como
estudar é diferente de ler, gastei um bom tempo em anotações, providência de suma importância para quem estuda. Por esse motivo ainda não passei do prefácio. Entretanto, a exemplo do que já havia acontecido com o primeiro, já há o que aprender (e repassar a você, amigo leitor), mesmo tão no início da empreitada:
"
A vontade é uma potência sentimental, e qualquer ideia, para agir sobre ela, deve colorir-se de paixão [... ] Quem estudou de perto o mecanismo da vontade compreendeu que as teorias metafisicas têm pouca importância e que não há sentimento que, deliberadamente escolhido, não possa, pelo uso inteligente de nossos recursos psicológicos, determinar a direção de uma vida inteira".
Se pararmos para refletir, podemos chegar à conclusão de já aplicamos isso empiricamente no nosso dia-a-dia em várias situações. Afinal de contas, quem de nós não teve um sonho na vida e não envidou todos os esforços ao seu alcance para concretizá-los? Peço licença a você, amigo leitor, para dar-lhe um exemplo pessoal. Fico à vontade para fazê-lo sem receio de parecer pedante nem melhor que ninguém,
justamente pelo meu "feito" ser totalmente realizável por qualquer ser humano.
Quem me conhece pessoalmente sabe que gosto de correr. Em 2016 fiz minha primeira maratona, em um tempo que vários corredores experientes consideraram muito bom para uma estreia. O resultado obtido suscitou perguntas de amigos: "
Como é possível um tempo tão bom para uma estreia?" Minha resposta era invariavelmente parecida com isto: "
Quem treina, faz, quem não treina, não faz. Está chovendo? Bota o casaco e vai. Está calor? Tira a camisa e vai. Acordou de ressaca? Vai com dor de cabeça, mas vai. Brigou no trabalho? Vai xingando, mas vai". Em outras palavras, a visão do objetivo a ser alcançado lá na frente e que, por algum motivo, é apaixonante pra você, vai te dar o foco necessário tanto pra vencer a preguiça de estudar depois de uma noite mal dormida quanto pra treinar corrida com frio demais, com calor demais, com álcool demais ou com briga demais no trabalho.
Parece sabedoria de botequim ou de livro de autoajuda, ainda mais quando apresentada por mim, leitor e corredor chinfrim, com zero conhecimento de Psicologia ou de Pedagogia. Pior, é uma sabedoria cuja eficácia todos nós empiricamente já conhecemos, e que, portanto, talvez não lhe acrescente nada, caro leitor. Ainda assim, gostaria de considerar duas coisas: A primeira é que é sempre reconfortante ver esses conceitos referendados por um sujeito que foi reitor das universidades Chambéry e de Aix-en-Provence, e, portanto, com comprovada
autoridade para discorrer sobre o tema. A segunda é que como estou ainda no prefácio, certamente ainda virão muitos conhecimentos provavelmente inéditos pra mim e talvez também inéditos para você. Ou, quem sabe, conhecimentos não inéditos, mas que andem precisando despertar da letargia...
Por estes dois motivos, convido-te a prosseguir no barco do conhecimento de nós mesmos através do estudo. Pode não acrescentar nada na sua vida? Pode. Entretanto, sigo afirmando que ler um livro sempre vai ser melhor que ler as
fake news da Folha de São Paulo, concorda?
Um abraço e até sábado que vem!