
Por
Marley Dickinson, para o site
RunningMagazine.ca
Com a queda das temperaturas e a chegada do inverno [
N. T: No Canadá, país do autor original da matéria], nada supera o encanto de um longo banho quente após uma corrida no frio. Além de aliviar as dores musculares, novas pesquisas sugerem que isso pode realmente te deixar mais rápido.
Um estudo recente da Universidade Metropolitana de Cardiff, publicado no Journal of Physiology, analisou se a exposição passiva ao
calor, especificamente a imersão em água quente, poderia melhorar o desempenho aeróbico em corredores bem treinados. O pequeno estudo acompanhou 10 atletas com níveis de VO2 máximo em torno de 60 durante cinco semanas. Cada corredor completou cinco sessões de imersão em água quente de 45 minutos por semana, mantendo seu volume de treinamento habitual.
Os resultados foram surpreendentes. Após cinco semanas, os corredores apresentaram um aumento médio de quatro por cento no seu VO2 máximo. De acordo com a fórmula de corrida de Jack Daniels, esse aumento é potencialmente suficiente para reduzir em cerca de 40 segundos o tempo de uma corrida de 5 km, simplesmente ficando sentado em água quente por 30 a 40 minutos, cinco vezes por semana.
Pesquisadores descobriram que a imersão passiva em
calor aumenta a hemoglobina e o volume sanguíneo total, ambos componentes essenciais para o fornecimento de mais oxigênio aos músculos. Na quarta semana, a massa de hemoglobina havia aumentado 3% em relação à medida inicial. Esses indicadores foram comparáveis aos observados em atletas de elite que treinam em altitude, sugerindo que ganhos significativos podem ser obtidos mesmo sem o custo ou a logística do treinamento em
calor ou altitude.
Corredores há muito tempo utilizam saunas, câmaras de
calor e ambientes úmidos em seus treinamentos, e a exposição a altas temperaturas é frequentemente chamada de
"treinamento em altitude para quem não tem dinheiro". Embora a imersão passiva em
calor não aumente diretamente a contagem de glóbulos vermelhos da mesma forma que o treinamento em altitude, ela oferece benefícios fisiológicos semelhantes sem o custo de uma tenda de altitude ou de uma viagem para Flagstaff, Arizona, ou St. Moritz, Suíça. Até agora, não estava claro se o treinamento passivo, sem exercícios no
calor, poderia produzir adaptações de longo prazo comparáveis às do treinamento tradicional em
calor ou em altitude.
Ainda assim, os pesquisadores apontaram uma limitação: a maioria dos participantes completou as sessões de imersão imediatamente após os treinos, quando a temperatura corporal já estava elevada. Isso torna incerto se as adaptações resultaram da imersão em si ou da hipertermia prolongada induzida pelo exercício. De qualquer forma, com uma rotina consistente, a imersão em água quente continua sendo um método caseiro simples que pode auxiliar na recuperação e potencialmente ajudar a melhorar o desempenho.