
Uma das minhas irritações favoritas como treinador é o conselho que ouço frequentemente:
"Ataque a subida, não seja fraco, não desista." é uma daquelas coisas que os corredores aprendem quando jovens que estão totalmente erradas. A ideia, ao que parece, é mostrar sua força e coragem, provar para você e seus concorrentes que você é, literalmente, o rei das colinas. Ou é uma tentativa de manter o ritmo consistente, para não deixar a
subida roubar nenhum segundo por pura força de vontade. Não consigo contar o número de corredores que conheci que aprenderam exatamente isso.
O único problema é que não funciona assim.
Quando estava começando a disputar provas em percursos com subidas em Michigan, eu rapidamente percebi que a maioria dos corredores ao meu redor sofria para subi-las, então eram forçados a se recuperar nas descidas. Então, alguma alma mais velha e sábia do meu clube de corrida me disse que a melhor maneira de subir ladeiras com eficácia começa aprendendo a correr rápido nas descidas.
"
Incline-se para a frente", disse ele, "
e deixe seu torso cair colina abaixo. Em seguida, mova as pernas rápido o suficiente para acompanhar". Corra ladeira abaixo com eficiência e você não precisa se matar na
subida.
Esforço desproporcional
Anos depois, estive sob a tutela de Alberto Salazar, muito antes dele cair em descrédito. E independente do que você possa pensar dele hoje, ele era um estrategista extremamente bom, com um interesse de cientista em descobrir a melhor maneira de fazer tudo da maneira mais perfeita possível.
Uma das coisas que ele me disse foi que uma vez, curioso sobre a melhor maneira de correr ladeiras, ele correu uma de 400 m com esforços "difíceis", "médios" e "fáceis", de acordo com um monitor cardíaco. Depois, ele foi para uma pista próxima e replicou esses esforços no plano, comparando seus tempos.
O que ele encontrou validou a sabedoria de meu antigo companheiro de equipe. Na
subida, a diferença de tempo entre o forte, médio ou fácil era muito menor do que no plano. Ele comparou a corrida forte morro acima a tentar correr rápido na areia. Você pode gastar uma quantidade enorme de energia e realizar muito pouco.
Avance alguns anos e me vejo treinando maratonistas para a Maratona de Portland, que na época incluía uma notória
subida de 54 metros até o topo da ponte mais alta de Portland sobre o rio Willamette. Ela ocorria por volta do quilômetro 17 e quase todo mundo tinha medo dela.
Meu conselho: corra no mesmo
esforço que você faria no plano, não no mesmo
ritmo. A ponte vai sugar cerca de um minuto da sua vida, mas não há nada que você possa fazer a respeito e se tentar subi-la mais rápido, pagará por isto mais tarde.
Calculando a desaceleração
O apoio para meu conselho não vem apenas de Salazar, mas do fisiologista do exercício e técnico Jack Daniels, que certa vez estimou o efeito das subidas nos corredores que participavam da maratona de Boston. Sua conclusão, que uso com meus corredores, foi que cada 15 metros de
subida desaceleram a corrida em cerca de 15 segundos. Ou seja, aquela ponte de 54 metros significa cerca de 52 segundos... perto o suficiente de "um minuto" para justificar o que eu estava dizendo.
Sim, você pode subir uma colina como essa mais rápido. Mas se você fizer isso, precisa ver a ação como o equivalente a um esforço repentino forte. Você pode sustentar? E se você não puder, de quanto a mais você vai precisar na recuperação? Melhor é correr a
subida com aproximadamente o mesmo nível de energia que você está correndo no plano e deixar que o tempo gasto seja o que for. Ao chegar ao topo, você deve se sentir "liberado" e ansioso para ir rápido, em vez de estar com as pernas bambas, ofegante e lutando para se recuperar.
Disciplina e prática
Encontrar a disciplina para encarar as subidas dessa maneira exige um esforço deliberado. "
Se eu não pensar sobre isso, vou apenas fazer força", diz Janne Heinonen, um dos melhores corredores
master de Portland, Oregon. "
Tenho que fazer um esforço consciente para me conter. é difícil, porque quanto mais íngreme for, maior meu instinto para forçar".
Felizmente, existem maneiras de praticar isso. Uma das minhas favoritas é o que chamo de "mergulhos". Encontre uma rota com uma pequena descida que leve a uma
subida igualmente pequena. Na descida, incline-se para a frente e pratique a sensação de "cair" colina abaixo, tendo o cuidado de não abrir demais a passada. Em seguida, pratique manter seu movimento no outro sentido, usando o mesmo esforço. Ao inverter a ordem de subir e descer, você pratica a descida mais rápida revigorado e já colheu os benefícios para que possa relaxar e flutuar na
subida.
Quando eu fazia isso com parceiros de treinamento, sempre me encontrava dois ou três passos à frente deles, mesmo com um "mergulho" de apenas 1,5 a 2 metros, esperando que eles me alcançassem. Faça-os sempre que puder, tornando-os tão habituais que você não possa mais imaginar correr em tal terreno de outra maneira, independentemente da ordem de subidas e descidas.
Outra, mais avançada, é a
subida e descida de morros. Para estes, encontre uma colina pavimentada alongada que suba até um topo plano e desça na parte de trás. Se as subidas forem assimétricas em grau e/ou comprimento, você pode alternar as direções das partes "rápida" e "lenta". Comece 400 m antes do topo, suba correndo e desça na parte de trás.
O objetivo é atingir o topo não se sentindo como se precisasse dar um tempo e se recuperar, mas, em vez disso, revigorado. Esse objetivo é duplo: (a) praticar corrida rápida e controlada na descida e (b) descobrir sua própria maneira mais eficiente de cobrir toda a distância, subindo e descendo a colina. Afinal, o objetivo final não é chegar o mais rápido possível ao topo da
subida, é ser o mais rápido possível até a linha de chegada da prova como um todo.
Existem, é claro, provas nas quais você precisa de uma abordagem diferente. Se a descida for muito íngreme, pode ser necessário ajustar. Se a descida for excessivamente íngreme e técnica, como às vezes pode ocorrer em corridas em trilha ou
cross-country, pode haver situações em que o objetivo principal é permanecer em pé. Para estas, a estratégia é atacar quando a aterrisagem estiver boa e recuperar quando não estiver.
Outra exceção pode ser quando uma
subida está perto do final e você não tem distância ou terreno para compensar a perda de ritmo. Mesmo nessa situação, no entanto, você não se beneficiará se forçando ao ponto de ter que se recuperar no topo. O esforço para cima deve ser proporcional ao aumento geral de esforço e ritmo.
Geralmente, os melhores resultados não vêm de atacar subidas o mais forte que você pode, mas de aprender como conciliar seu gasto de energia com o percurso. Daí, então, você não só "vence" as subidas como corre sua melhor prova.
Traduzido do site PodiumRunner.com