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A passada do corredor é um bom medidor de eficiência?
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quinta-feira, 8 de outubro de 2020 - 10:50
runner strideNa primavera de 84, Craig Virgin, já duas vezes campeão mundial de cross country e um dos corredores mais premiados da história americana, corria uma prova de 10.000 metros em Eugene, Oregon, contra adversários relativamente desconhecidos. Mas havia um corredor que permaneceu inabalável: um desconhecido de 20 anos de Newfoundland chamado Paul McCloy, cujo estilo de corrida pouco ortodoxo evocou a famosa descrição de Emil Zatopek: "como um homem lutando com um polvo em uma esteira rolante".

Conforme a prova avançava, de acordo com a versão apócrifa da lenda que circulou muito nos círculos de corrida canadenses, McCloy ficou encantado ao ouvir a multidão de Eugene começar a torcer por ele, gritando "Newfie! Newfie! Newfie! O próprio Virgin parecia confuso com a presença contínua dessa sombra sofredora atrás dele, mas no final, foi McCloy quem saiu correndo para a vitória, a cabeça balançando loucamente, em um tempo de 28:11,72. Só mais tarde alguém explicou a McCloy que a multidão estava gritando "Goofy! Goofy! Goofy!" [N. T: Goofy = Pateta]

(Não acredita em mim? Confira esta filmagem de McCloy correndo para a vitória em uma corrida de 1990 contra o defensor da medalha de bronze olímpica. E continue na entrevista pós-corrida: "O que se passa em sua mente quando você está dando tudo?" "Nada").

Corredores como McCloy, Zatopek e Paula Radcliffe sempre foram considerados as exceções que comprovam a regra. Eles parecem terríveis em comparação com seus rivais de passadas suaves. Imagine como poderiam ter sido muito melhores com passadas mais eficientes. Afinal, fica claro a olho nu que eles estão desperdiçando energia. Será?

Essa é a questão colocada por um novo estudo no European Journal of Sport Science, de uma equipe de pesquisa liderada por Robbie Cochrum na Tennessee State University. Eles enviaram videoclipes de um minuto de cinco corredores diferentes para 121 treinadores, desde o ensino médio até o nível internacional, e pediram que eles classificassem os corredores do mais econômico para o menos econômico. Em seguida, eles compararam essas classificações aos valores medidos em laboratório de economia de corrida, que é a quantidade de oxigênio que você consome (como um indicador de quanta energia você queima) para sustentar um determinado ritmo de corrida.

Os corredores variavam em economia de 40,2 a 49,4 mililitros de oxigênio por quilograma de peso corporal por minuto, correndo a um ritmo de 4:40’/km. Você também pode expressar a economia de corrida como a quantidade de oxigênio consumido em uma determinada distância (geralmente um quilômetro) em vez de por minuto. Nessas unidades, eles variaram de 187,7 ml / kg / km, que é um bom valor para um corredor altamente treinado, a 230,6 ml / kg / km, que é mais típico para um corredor recreativo.

Os resultados: os treinadores foram completamente incapazes de classificar corretamente os corredores do mais para o menos econômico. Na verdade, apenas 6% dos treinadores conseguiram colocar três dos corredores na ordem correta. Outros 12 por cento acertaram dois. O resto obteve um ou zero. Claro, nem todos os treinadores são criados iguais. Os pesquisadores também coletaram dados sobre o nível dos atletas treinados, o número de anos treinando, o nível educacional mais alto (11% deles tinham doutorado e outros 29% tinham mestrado), certificações e experiência em corrida. Nada disso importava: não havia conexão entre qualquer um desses fatores e a capacidade dos treinadores de classificar os corredores pela economia.

Os pesquisadores também perguntaram aos treinadores quais pistas eles estavam procurando para determinar quem era mais eficiente. As principais respostas foram que uma taxa de passos mais alta e um comprimento de passada menor sinalizavam eficiência. Mais oscilação vertical sinalizava ineficiência. A aterrissagem com o médio-pé ou do ante pé seria mais eficiente do que o do retro pé. Outros fatores que observaram incluíram movimento de um lado para outro e giro de braço. Todos esses fatores são um tanto consistentes com estudos de laboratório sobre economia de corrida, mas não os ajudou a obter as respostas certas.

Essa descoberta não é completamente nova. Os pesquisadores citam uma dissertação de doutorado não publicada da University of Montana no final dos anos 1980 com descobertas semelhantes, embora nesse estudo os treinadores pudessem reconhecer que corredores treinados eram mais eficientes do que um grupo de ciclistas com menos experiência em corrida. E lembro-me de uma menção, em um artigo no New York Times de 2007 com um estudo semelhante, também aparentemente não publicado, ao treinador e pesquisador Jack Daniels, que enviou vídeos para treinadores e especialistas em biomecânica. Eles também não puderam escolher os corredores mais eficientes.

Não acho que isso significa que é impossível correr com uma forma ruim. Na verdade, a diferença entre 187,7 e 230,6 ml / kg / km é bastante substancial, então você definitivamente deve diminuir essa lacuna, se puder. E fazer alterações na forma de correr pode ser uma maneira útil de fazer isso, embora a evidência permaneça extremamente irregular, na melhor das hipóteses. Em contraste, há evidências razoavelmente boas de que o treinamento de força ou pliométrico pode melhorar a economia de corrida.

Também está bem estabelecido que corredores inexperientes se tornam mais eficientes com o passar do tempo, simplesmente pelo ato de correr repetidamente. Seu corpo é bastante adepto da busca automática dos padrões de movimento mais eficientes e evita o desperdício de energia. Um exemplo legal: se você usa uma joelheira especial que altera a cadência mais eficiente para você andar, leva apenas alguns minutos para seu corpo ajustar sua marcha para maximizar a eficiência mais uma vez, mesmo que a economia de energia seja de apenas o equivalente a um amendoim após uma hora de caminhada.

As conclusões dos pesquisadores são que "os treinadores devem ser cautelosos ao recomendar ajustes biomecânicos sem considerar os fatores interligados relacionados a tais mudanças". Em outras palavras, se você disser a alguém para balançar mais os braços, essa pessoa pode inadvertidamente mudar sua cadência ou começar a saltar mais. Eu iria mais além. Antes de dizer a alguém para mudar sua passada de corrida, você deve estar bastante certo de que ela já não é eficiente. Não tenho ideia de como teria sido a economia de corrida medida para Paul McCloy, mas, como sugere o novo estudo, ninguém mais tem.
Traduzido do site OutSideOnLine.com

Fonte: OutSideOnLine.com (traduzido por CoelhoDePrograma)

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