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A inteligência emocional pode melhorar sua corrida?
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quinta-feira, 25 de julho de 2019 - 12:09
mindfullness runningEm testes de resistência, algumas pessoas vão mais fundo que outras. Estas não são necessariamente as que entram em colapso no final, podem simplesmente ter dado um sprint na reta final ou podem só ter talento para a encenação. Durante os longos e solitários quilômetros do meio de uma prova, você toma mil micro decisões sobre se devem ir mais rápido ou mais devagar. Essas decisões são quase invisíveis para os outros, mas em conjunto são a diferença entre uma boa ou má prova.

Frequentemente chamamos vagamente essa capacidade de apertar o passo de resistência, coragem, foco e assim por diante, mas não temos uma maneira confiável de quantificar as diferenças entre aqueles que forçam mais e os que desistem mais cedo. Por isso, interessei-me por um ensaio recente de três psicólogos na Itália, conduzido por Enrico Rubaltelli, da Universidade de Pádua, explorando as ligações entre inteligência emocional e desempenho de meia maratona. Em suma, aqueles que eram melhores em reconhecer e regular suas emoções correram corridas mais rápidas.

O estudo envolveu 237 corredores em uma meia maratona em Verona, que preencheram um questionário chamado Traits Emotional Intelligence Short Form no dia antes da corrida, que envolvia concordar ou discordar com declarações como "Expressar minhas emoções com palavras não é um problema para mim.", "Costumo parar e pensar sobre meus sentimentos.". A pontuação deles nesse teste acabou sendo a mais forte previsão do tempo de corrida no dia seguinte, ainda mais forte do que a experiência de corrida anterior ou a quilometragem semanal típica de treinamento. Pare por um momento para absorver isso.

Antes de prosseguir, devo reconhecer que já existe muita propaganda (e controvérsia) sobre o conceito de inteligência emocional. Desde que Daniel Goleman publicou um livro com esse nome em 1995 (com o subtítulo "Por que isto pode importar mais do que o QI"), a inteligência emocional tem sido um termo popular nos círculos de administração e educação. É muito claro, pelo que posso dizer, que as pessoas que testam muito a inteligência emocional tendem a ter sucesso em muitas áreas da vida. O que é menos claro é se testar a inteligência emocional de alguém lhe diz algo novo sobre suas perspectivas que você não conseguiria testando coisas mais tradicionais, como o QI e os "cinco grandes" traços de personalidade (abertura a experiências, consciência, extroversão, amabilidade, neuroticismo).

Esta não é uma controvérsia que eu possa resolver aqui. Existem hoje vários modos concorrentes de definir a inteligência emocional, como uma habilidade ou um traço, que é a abordagem usada aqui. Entretanto, deixando de lado a questão de saber se a inteligência emocional é um novo conceito ou um novo nome para conceitos antigos, é fascinante, de qualquer forma, que um questionário simples possa fazer previsões tão poderosas sobre o desempenho de meia maratona.

Lógico que as ligações entre personalidade e desempenho de corrida são mais complicadas do que o que acontece na prova propriamente dita. Os pesquisadores usaram um modelo multifatorial para explorar como vários fatores, como treinamento, experiência anterior em corrida e estabelecimento de metas, interagem com a inteligência emocional para influenciar o desempenho na prova. Quando todos esses fatores foram combinados, uma inteligência emocional mais alta ainda estava diretamente relacionada a um melhor tempo de prova, provavelmente porque você está administrando melhor as inevitáveis emoções negativas do meio da prova sem diminuir a velocidade. Mas também havia alguns elos indiretos: aqueles com maior inteligência emocional tenderam a ser mais otimistas e confiantes em suas habilidades, então definiram metas mais ousadas antes da corrida (o que levaria a tempos melhores), mas também tenderam a fazer menos treinamento nos meses que antecederam a corrida (o que levaria a tempos piores). Era uma espécie de faca de dois gumes, em outras palavras.

Quando troquei e-mails com Enrico Rubaltelli, o principal autor, ele mencionou que eles já deram continuidade a uma série de novas experiências em inteligência emocional e resistência. Eles repetiram os resultados iniciais em outra meia-maratona, e também tentaram em uma maratona (onde o treinamento teve um impacto muito maior no tempo de chegada) e uma prova de tempo de 3.200 metros na pista (onde metade dos participantes não foram informados comprimento da corrida com antecedência, para testar sua resposta à incerteza).

Ainda mais intrigante, eles começaram a testar um protocolo de treinamento mental para melhorar a inteligência emocional. Pesquisas anteriores mostraram que isso é possível. O protocolo que Rubaltelli e seus colegas estão usando envolve sessões sobre mindfulness (aí está novamente uma palavra na moda), técnicas de respiração, objetivos e motivação. Até agora eles testaram em jogadores de futebol e atletas de tiro, com resultados positivos em sua capacidade de manter o foco em uma tarefa de computador chamada teste de Stroop. Pesquisadores agora esperam testá-lo em corredores.

Devo dizer muito claramente aqui que vejo alguns destes resultados com um grande ceticismo, embora eu certamente espere ver a pesquisa replicada. A inteligência emocional é um melhor preditor do tempo de meia maratona do que o treinamento? Isso pode ser verdade nesta amostra particular de corredores, que treinaram em média 3,4 vezes por semana, num total de 40 quilômetros. Mas estou muito confiante de que não é verdade nas Olimpíadas ou mesmo em qualquer competição razoável de ensino médio.

Ainda assim, mesmo que acabe fazendo uma diferença muito menor em atletas mais sérios e melhor treinados, isso seria muito interessante. Isso reforçaria a ideia de que seus limites em qualquer teste de resistência não são simplesmente um produto matemático de sua frequência cardíaca, níveis de lactato e assim por diante. Em vez disso, é como você escolhe responder a todos esses sinais que importam. E, melhor ainda, se você puder melhorar sua inteligência emocional, essa pode ser a primeira intervenção de treinamento de resistência que também melhora seu desempenho como cônjuge ou pai, e não o contrário. Nisto há esperança.
Traduzido do site OutsideOnline.com

Fonte: OutSideOnLine.com (traduzido por CoelhoDePrograma)

Leia mais sobre: mental, inteligência emocional, mindfulness

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