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O que é o futuro das maratonas rápidas?
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quinta-feira, 16 de julho de 2020 - 07:58
eliud kipchogeNa edição do Journal of Applied Physiology do mês passado, quatro pesquisadores influentes destrincharam a ciência da maratona: onde está, como chegamos aqui e para onde estamos indo. Como apontaram, estamos em um momento interessante da história do esporte. Eliud Kipchoge estabeleceu o atual recorde masculino de 2:01:39 em 2018 e Brigid Kosgei estabeleceu a marca feminina de 2:14:04 em 2019, continuando um período de progresso extraordinariamente rápido. Confira a porcentagem de melhoria nos recordes mundiais desde 1999 em vários eventos de corrida de longa distância:


(Ilustração: Journal of Applied Fisiology)

Os cientistas Michael Joyner, da Mayo Clinic, Sandra Hunter, da Marquette University, Alejandro Lucia, da Universidad Europea de Madrid, e Andrew Jones, da University of Exeter, descrevem o modelo básico da fisiologia da maratona, em que o desempenho depende de três características principais: captação máxima de oxigênio (VO2 máximo), intensidade sustentável (que está intimamente ligada ao limiar de lactato) e economia de corrida (uma medida de eficiência). Em seguida, discutem quais fatores podem ter afetado essas três características para permitir o recente boom nas maratonas rápidas, incluindo genética, formas do corpo, treinamento, drogas e, obviamente, tênis.

É um conteúdo interessante, mas o que realmente me chamou a atenção foram as 17 páginas de respostas de 35 grupos diferentes de outros pesquisadores que a revista também publicou. Se você realmente deseja ter uma ideia completa da diversidade do interesse dos atuais pesquisadores da resistência, a varredura dessas respostas é um ótimo começo. A maioria das ideias é pelo menos um pouco familiar, mas algumas são inesperadas. Aqui está uma amostra de alguns dos temas que surgiram nessas respostas:

Passadas sincronizadas

Este é de longe o mais incomum, pelo menos para mim. Um trio de pesquisadores na Alemanha, liderado por Laura Hottenrott, da Ruhr University (uma maratonista de 2:33), sugere que sincronizar passos com os corredores à sua volta permite que você corra com mais eficiência, gastando menos energia e, assim, terminando mais rápido.

Isto é real? Certamente é verdade que tendemos a sincronizar instintivamente com os corredores à nossa volta, e também parece que vários outros padrões entre cadência, frequência cardíaca e respiração parecem surgir espontaneamente. Mas seguir as referências da carta de Hottenrott não revela nenhuma evidência de que ela melhore significativamente a economia de corrida. Classifique isto como altamente especulativo por enquanto, mas, por diversão, imagine um futuro em que os "coelhos" das principais maratonas sejam selecionados com base em comprimento de pernas e cadência semelhantes aos dos principais competidores, a fim de maximizar a probabilidade de passadas sincronizadas.

Capacidade de oxigenação cerebral

Pelo menos três respostas diferentes, de pesquisadores franceses, dinamarqueses e brasileiros, focaram no papel do oxigênio cerebral. Correr uma maratona rápida exige muita potência do cérebro, principalmente do córtex pré-frontal, para integrar informações, tomar decisões e resistir ao desejo de desacelerar, e essa potência cerebral demanda muito oxigênio. Existem evidências de que os níveis de oxigênio no cérebro começam a cair durante o exercício em esforço máximo e, curiosamente, parece que os principais corredores quenianos são extraordinariamente bons em manter oxigênio cerebral suficiente.

Então, como você melhora a "eficiência neural"? Pode ser que alguns corredores consigam basicamente desligar a cabeça e correr no piloto automático durante as provas, reduzindo as necessidades de oxigênio de seus cérebros. Também pode haver algumas circunstâncias externas que tornam mais fácil continuar a pensar o mínimo, como marcadores de ritmo confiáveis e um percurso familiar e bem sinalizado. Pense, por exemplo, no percurso montado para as tentativas de sub-2 de Kipchoge. Isso também é bastante especulativo, mas o mais interessante é que os estudos de imagens do cérebro estão começando a colocar algumas dessas ideias à prova.

Melhorar a economia de corrida

No artigo principal de Joyner e seus colegas, eles apresentam algumas evidências de que o VO2 máximo e o limiar de lactato não mudaram drasticamente em comparação com as gerações anteriores de corredores. Portanto, as grandes mudanças parecem estar acontecendo na economia de corrida. De fato, de acordo com uma resposta do fisiologista da University of Colorado Rodger Kram, as medições da economia de corredores de elite mostram uma melhoria de aproximadamente 26% nos últimos 90 anos.

Ninguém sabe ao certo como a economia de corrida melhorou ou se pode melhorar ainda mais. Uma resposta sugere treinamento de força, outra, pliometria, outra se concentra na eficiência mitocondrial e outras propriedades microscópicas das fibras musculares. Talvez seja biomecânica, alta quilometragem ou nascer queniano. Ou talvez, vários comentaristas sugeriram claramente, a tecnologia dos tênis. Este é um debate de longa data, mas que está longe de ser resolvido.

Medir corretamente a economia de corrida

Se realmente queremos descobrir como melhorar a economia de corrida, primeiro precisamos garantir que estamos realmente medindo-a corretamente. Um comentário da pesquisadora da University of British Columbia (e corredora olímpica de barreiras) Shalaya Kipp destaca algumas questões metodológicas, como a velocidade e a inclinação adequadas da esteira. O ponto mais intrigante: quão rígida é a plataforma da esteira? Boas esteiras de nível de pesquisa são firmes como as ruas. Esteiras típicas de academias, como recentemente observou o pesquisador holandês Bas Van Hooren, são macias e saltam. Então, o que acontece quando um estudo mede a economia de corrida em um tênis com uma quantidade de salto cuidadosamente ajustada, como o Vaporfly, usando uma esteira com salto adicional? Os resultados não têm sentido. Isso é algo a ser observado quando você estiver lendo pesquisas sobre os tênis mais recentes.

Alterações relacionadas à fadiga

Faça dois videoclipes de um corredor, um no quilômetro 3 e outro no 40 de uma maratona. Você acha que teria dificuldade em adivinhar qual era qual? A fadiga tem um preço visível em você e provavelmente tem também um preço invisível. O ponto principal levantado por um par de pesquisadores eslovenos é que quaisquer cálculos baseados no VO2 máximo, limiar de lactato e economia de corrida são baseados em valores medidos quando o corredor está descansado, mas todas as três variáveis provavelmente mudarão ao longo de uma maratona. Portanto, entender a dinâmica da fadiga induzida da fisiologia de um corredor se torna crucial. Talvez Kipchoge seja tão bom não porque ele tenha uma incrível economia de corrida, mas porque ele tenha uma capacidade incrível de sustentar sua economia de corrida, mesmo cansado.

Um ponto mais sutil é que essas variáveis também mudam de um dia para o outro com base no status de treinamento e recuperação. O limiar de lactato que você mede algumas semanas antes da sua prova não será idêntico ao limiar de lactato que você tem na linha de partida. Que fatores determinam se o último valor é melhor ou pior que o anterior?

Manter o ritmo na Maratona

Um comentário de um grupo da Espanha liderado por Jordan Santos-Concejero explora o eterno quebra-cabeça do ritmo ideal. Eu escrevi sobre algumas das pesquisas desse grupo antes, que revelam um contraste interessante entre o ritmo dos recordes mundiais pré-1988, com corredores que tenderam a começar rápidos e depois ir diminuindo, e os recordes pós-1999, onde os corredores tendem a começar de forma um pouco mais conservadora e acelerar depois dos 25 km. Os recordes  mais recentes também tendiam a ter um ritmo mais uniforme, com menos segmentos de 5 km muito rápidos ou muito lentos. Isso aponta para um futuro de ritmo hiper-otimizado, mas isso significa necessariamente ritmo uniforme ou a tendência recente de acelerar na segunda metade faz mais sentido? A resposta a essa pergunta dependerá em parte do ponto anterior sobre como e por que coisas como o limiar de lactato e a economia de corrida se alteram com o cansaço.

Idade ideal

Seu VO2 máximo normalmente começa a cair cerca de 1% ao ano após os 25 anos. Os atletas de elite podem sustentar essa curva por um tempo, mas o tempo está passando. Por outro lado, longos períodos de treinamento intenso (talvez juntamente com outros fatores como treinamento de força e pliometria) podem aumentar gradualmente a economia de corrida. Paula Radcliffe, por exemplo, conseguiu aumentar sua economia em 15% entre 18 e 29 anos de idade. Portanto, o ponto ideal, de acordo com Jonathon Senefeld, pesquisador da Mayo Clinic, é ditado pelo acordo entre esses dois fatores.

Existem outros fatores que afetam a idade dos campeões de maratona, como o aumento constante da popularidade das provas. Como aponta um grupo da Pepperdine University, o aumento dos prêmios em dinheiro atraiu mais corredores de elite e os manteve no esporte por mais tempo. É muito difícil tirar conclusões dos últimos recordes: Kipchoge tinha 33,8, enquanto Kosgei apenas 25,6. No papel, você teria que adivinhar que Kosgei tem muito mais chances de ter mais recordes na manga, especialmente porque ninguém sabe quanto tempo levará para que a maratona profissional retorne. Mas se há uma coisa que aprendi nos últimos anos, foi: nunca aposte contra Eliud Kipchoge.
Traduzido do site OutsideOnline.com

Fonte: OutSideOnLine.com (traduzido por CoelhoDePrograma)

Leia mais sobre: maratona, eliud kipchoge, vo2 máximo

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