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Por que sentimos falta das provas?
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quinta-feira, 6 de agosto de 2020 - 11:27
runners racingPergunte-me as minhas memórias favoritas de corrida e vou contar sobre o tempo que meu parceiro de treinamento e eu passamos ao longo do rio Schuylkill, na Filadélfia, correndo mais rápido do que eu pensava ser possível, mas os quilômetros continuavam passando, recebendo energia um do outro enquanto íamos lado a lado por 20 quilômetros, até que ele se afastou na pequena subida do museu de arte e me puxou pela embandeirada Ben Franklin Parkway, para terminar em um enorme recorde pessoal. Trocamos menos de uma mão cheia de palavras durante essa hora e 17 minutos, mas raramente me senti mais próximo de outro homem.

Ou eu vou lhe contar sobre estar com um grupo de corredores que se revezam na direção do vento norte, nos primeiros quilômetros da Maratona de Jersey Shore, depois se afastando deles e escolhendo outros corredores diminuindo o ritmo, um por um até, inacreditavelmente, um voluntário me dizer que eu estava em quarto. Era outro recorde pessoal, mas esse fato tem apenas um brilho suave, comparado às memórias do lugar e das pessoas com quem corri e contra quem disputei, estranhos conectados neste dia pela experiência de lutar juntos em direção a um objetivo comum.

Muitas das melhores lembranças não são recordes pessoais. Vou lhe contar sobre subir montanhas irlandesas com novos amigos e voltar com um sorriso enlouquecido, inconsciente do muco e da lama salpicadas no meu rosto. De correr pela ponte Golden Gate lado a lado com meu filho em sua primeira meia-maratona. Ou, ainda perto de casa, em uma prova de 5 km de uma cidade pequena, num 4 de julho, onde persegui as crianças do ensino médio que eu treinei que saíram um pouco rápido. Permanecemos juntos como uma equipe por 1. 5 km. Então, quando o grupo se espalhou, eu encorajei o júnior a se afastar e depois superei um calouro da cidade rival (pela primeira e pela última vez). Depois, parabenizamo-nos um ao outro, lamentamos o calor que fez nos quilômetros intermediários, comparamos o treinamento e desejamo-nos fortes quilômetros de verão.

Algumas semanas atrás, eu teria lhe dito que a razão de eu gostar de provas era pelo desafio pessoal. Gosto de definir uma meta, trabalhar para alcançá-la e ter um dia de acerto de contas em que vejo como posso ser bom, ou, pelo menos, como posso ser bom para minha idade.

O aspecto social das provas estava bem para baixo na minha lista. Na verdade, eu poderia tê-lo descartado completamente. Costumo opinar sobre a adorável solidão de correr sozinho. Muitas vezes celebramos aqueles que são atraídos pelo esporte em parte porque podemos fazê-lo sozinhos. Preferimos estar em uma estrada ou trilha tranquila do que no meio de uma festa lotada. Descobrimos que, como Thoreau escreveu em Walden, "nunca encontrei um companheiro tão sociável quanto a solidão".

Nas provas, quando outros se juntam a um grupo de aquecimento com música alta, frivolidade forçada e entusiasmo obrigatório - "Não consigo ouvir você! Eu disse 'bom dia!'"- estamos correndo silenciosamente por um beco vazio com um olhar voltado para dentro. Nós tendemos a pular a massa pré-prova e o concerto pós-prova. Não estamos à procura de uma festa, estamos à procura de uma prova. Orgulho-me da mentalidade da velha guarda que diz que tudo o que preciso é de uma linha de partida, uma de chegada e de um relógio preciso.

Portanto, é uma surpresa descobrir, agora que perdemos as provas, que o que sinto falta é de outras pessoas. De repente, fica claro que as provas são sobre outros corredores, os conhecidos e os desconhecidos, aqueles com quem e contra quem estamos correndo.

Sinto falta de passar por pessoas e ser ultrapassado, perseguindo e liderando, superando e sendo superado, inspirando-nos a um esforço maior. Sinto falta de estar entre os outros não-legais o suficiente para se importar, outros dispostos a parecer tolos, a sofrer em público por nenhuma razão melhor do que ver o quanto estamos dispostos a sofrer. Sinto falta da camaradagem daqueles que conhecem a alegria daqueles quilômetros solitários e a beleza daquele lugar escuro onde não resta mais nada além da vontade que diz: "Aguente firme!" Sinto falta de resfolegar com as mãos nos joelhos, estendendo um braço pingando de suor para um "toca aqui!" que diz, mais do que qualquer palavra pode transmitir: "Eu sei".

Corredores solitários podem não participar de provas pelo que os outros consideram socializar, mas estou descobrindo que vamos por razões sociais. A prova em si é a nossa festa, e nossa interação social é rica e profunda, mesmo quando estamos ofegantes e com dificuldade para falar.

Enquanto isso, estou tentando aproveitar ao máximo as provas virtuais. Embora eu ache que uma prova virtual é como ler o resultado de um jogo de basquete na manhã seguinte, ao invés de assisti-lo, ela satisfaz a necessidade de objetivos e medição.

Para torná-la um pouco mais parecida com uma prova real, em vez de percorrer distâncias aleatórias, criei percursos para 5 km, 10 km e meia-maratona, percursos que refletem as características do meu bairro que eu gostaria de compartilhar com outras pessoas. Por enquanto, tenho que confiar na imaginação: como seria ver os que estão à frente e atrás naquela pequena seção cênica. Eu apertaria o ritmo naquela subida ou pegaria leve e tentaria ultrapassar pessoas na ligeira descida depois. Quando eu começaria meu sprint final, antes ou depois de passar a fileira de árvores e ver a linha de chegada à frente...

A imaginação ajuda, mas, prometo, quando voltarmos a competir, irei amar os outros como nunca antes.
Traduzido do site PodiumRunner.com

Fonte: PodiumRunner.com (traduzido por CoelhoDePrograma)

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