Parceiros
[X] Fechar

Seu nome:

Seu email:

Nome do amigo:

Email do amigo:

Dicas populares de corrida a ignorar
Compartilhe! Telegram Whats Email Mapa de imagens. Clique em cada uma das imagens

quarta-feira, 22 de setembro de 2021 - 11:22
tired runnerTive um breve flerte com a corrida na sétima série. Esse flerte culminou em um 5 km local, onde corri uma prova relativamente impressionante. Após a cerimônia de premiação, um espectador veio até mim e me deu os parabéns. Ele se parecia um pouco com Gandalf, então, embora ele falasse um pouco como Elmer Fudd, ouvi o que ele disse a seguir. E foi uma dica de treinamento! Ponto!

Só que era uma besteira total, uma fórmula para calcular o peso corporal com base na altura que ele disse que me ajudaria quando eu fosse para a faculdade alguns anos depois. Para os meus olhos impressionáveis, nem o Gandalf Campestre nem os números poderiam estar errados. Afinal, eu fazia parte da equipe de trivia da escola, um atleta nato. Então tentei resolver essa equação.

Nos meses seguintes, perdi algum peso. Eu também perdi uma boa parte do cabelo por comer menos. Acabei parando de correr, migrei para o futebol e mais tarde percebi que o que eu pensava ser sabedoria era na verdade besteira.

A dica de treinamento que me desviou do caminho quando criança pode ser resumida como "você precisa ter um certo peso para atingir seu potencial". Esse tipo de conselho horrível carece das nuances da variação individual: o que funciona com moderação para algumas pessoas pode causar uma tempestade fisiológica para outras. Tudo o que envolve o treinamento é complicado, desde o design do treino até a estrutura semanal e todas as informações físicas e mentais imagináveis. Pode ser fácil resumir essa complicação em uma fórmula que é pseudociência ou superstição envolta em um revestimento de certeza que a torne útil.

Este artigo aponta 10 desses tipos de dicas, com cada uma delas geralmente começando como associações bem-intencionadas e, às vezes, terminando como desinformação ativamente inútil. Vamos começar com a dica ruim que ouvi quando era criança.

Dica ruim um: seu corpo precisa ter uma certa aparência ou peso.

Ser atleta tem a ver com encontrar seu ponto forte. Cada corredor que melhora a longo prazo e tem sucesso abastece seu corpo de maneira adequada. Para alguns atletas, isso leva a aderir à fórmula adotada pelo Sr. Cara de Merda. Para outros, significa ter um corpo que parece diferente e pesa mais ou menos. Todos são igualmente válidos. E aqui está o ponto mais importante de todos: todos estão otimizando suas capacidades, dada sua genética e experiências únicas.

O problema é que uma fórmula pode ser adaptada de uma pessoa que ganhou uma medalha olímpica ou um Western States, e este tipo de adaptação é uma porcaria de ciência e de fisiologia. Os atletas que tentam lutar contra sua genética e experiências únicas não se adaptam aos estímulos de treinamento de maneira eficiente e quase sempre ficam mais lentos com o tempo. Isso pode não acontecer amanhã, mas tentar caber nas roupas ou na balança de outra pessoa é uma bomba-relógio para a melhora atlética.

Há três anos, a equipe de remo da Nova Zelândia passou por essa experiência. Uma pesquisa indicou que todos os atletas, exceto um, corriam o risco de baixa disponibilidade de energia. Médicos, nutricionistas e treinadores trabalharam com os atletas para mudar a cultura e a abordagem da alimentação. Rower Brooke Donoghue resumiu a sabedoria que eles aplicaram antes das Olimpíadas: "Agora eu entendo que ser magra não é prioridade, ser forte é", disse ela. "Não importa o que a balança mostre. Isso nos fez entender que não se trata de um número, mas sim de se sentir bem, sabendo que estamos nos abastecendo bem".

Em Tóquio, Donoghue ganhou uma medalha de prata e toda a equipe teve grandes sucessos. A baixa disponibilidade de energia com foco no peso corporal pode prejudicar o sistema endócrino e a saúde geral. A equipe de remo da Nova Zelândia aprendeu outra coisa. Comer o suficiente pode estimular um melhor desempenho, recuperação e adaptação. Os alimentos podem funcionar como uma PED (NT: PED = Performance Enhancing Drug, ou Droga para Melhoramento da Performance) natural, legal e divertida.

Mova-se, coma, ame, repita. Você encontrou a sua força. E a sua força é perfeita.

Dica ruim dois: as corridas fáceis precisam ter uma certa frequência cardíaca o tempo todo.

O corpo não funciona em zonas fisiológicas isoladas, onde exceder o limiar aeróbio é um crime para a melhora atlética. Quando você se sente bem, suas corridas fáceis podem ser um pouco mais rápidas. Quando você se sente cansado ou não está se recuperando rapidamente, suas corridas fáceis podem envergonhar as lesmas. A arte e a ciência da corrida fácil exigem que o atleta ouça seu corpo, não uma calculadora.

Essa dica se baseia no fato de que corridas fáceis podem ser muito fáceis e, muitas vezes, deveriam ser muito fáceis. O sistema aeróbio deve ser desenvolvido desde o início. Apenas certifique-se de que o foco no sistema aeróbio não está negligenciando os sistemas musculoesquelético, biomecânico e neuromuscular. Você tem que correr mais rápido para ficar mais rápido, mas com moderação.

Dica ruim três: para ser profissional, você precisa de duas corridas diárias/160 km por semana/treinos complexos.

Este é a dica genérica que você pode ouvir de um atleta de elite falando sobre seu próprio treinamento. O problema é que todas essas dicas são superestimadas por variáveis confusas e, às vezes, as pessoas ainda confundem as linhas de causalidade. Corridas duplas são uma característica importante de alguns treinos de atletas profissionais, mas também combinam com atletas que têm tempo e fisiologia para lidar com elas. Semanas de alto volume podem ser uma variável chave para o estresse e a adaptação, mas as células não dão a mínima por cerca de uma semana, e só se importam com um km quando este km é associado ao contexto químico que vem junto com ele (entramos em detalhes no nosso podcast). Grandes treinos duplos de limiar ou sessões de supercompensação podem ajudar no desenvolvimento, mas também fazem parte do treinamento de atletas que são duros como pregos e têm grandes sonhos.

Atletas podem ter sucesso usando várias abordagens, mas não podemos provar a causa do insucesso. Então, ficamos juntando um monte de experimentos individuais. Por isso, não se sinta obrigado a imitar a abordagem específica que funciona para outra pessoa. Os princípios gerais são seus amigos (duplas/semanas de 160 km = estresse crônico consistente e frequente, design de treino = estresse agudo estratégico e eficiente), mas regras específicas podem ser apenas dogmas.

Dica ruim quatro: tudo se resume ao tempo correndo.

Esta dica é principalmente para o público ultra. O tempo correndo pode ser útil se envolver uma movimentação eficiente em trilhas, incluindo caminhadas, com bastante tempo para recuperação e adaptação. Mas, não há nenhuma evidência e há pouca teoria fisiológica de que totais semanais de dezenas de horas treinando ajudem um atleta a se mover com mais eficiência ou a ser mais saudável. Embora essas coisas possam funcionar para algumas pessoas, você pode ser rápido e saudável gastando tempo pela manhã fazendo sua atividade e, em seguida, vivendo sua vida normalmente (adicionando periodicamente alguns estresses agudos maiores ao longo do caminho), mesmo treinando para corridas que demoram 12 a 24 horas.

Dica ruim cinco: quanto mais volume de treinamento e/ou inclinação, melhor.

Além dos dois últimos pontos, os totais de volume e inclinação são variáveis chave para o estresse. Entretanto, eles não são o estresse real experimentado pelas células e sistemas do corpo e não são o que impulsiona o desempenho. Uma corrida de 16 quilômetros pode ser apenas uma corrida de 16 quilômetros ou pode parecer um pouco como uma corrida de 32 km, se você ficou acordado a noite toda com uma criança, está lidando com uma calmaria de saúde mental ou preparando uma apresentação no trabalho. Uma das coisas mais difíceis de internalizar para um atleta é que o corpo pode realmente se adaptar ao volume mais baixo, assim como ao volume mais alto, desde que o estresse seja calibrado de forma adequada para seu contexto único.

O corpo não reconhece quilômetros, e sim o estresse. E mais estresse nem sempre é melhor, principalmente levando-se em conta que alguns campeões são escolhidos especificamente por serem anomalias genéticas no que se refere ao gerenciamento do estresse crônico do treinamento.

Dica ruim seis: você deve fazer subidas no treinamento se quiser fazer subidas nas provas.

A especificidade é importante às vezes, mas não exagere. Vejo tantos atletas se matando para subirem uma ladeira porque leram essa dica em um artigo sobre ultramaratonas ou ouviram-na de um amigo. O problema é que é muito difícil subir de nível se o seu cérebro está restringindo você antes do seu corpo dizer que você precisa diminuir.

Se você faz caminhadas o tempo todo, isso é incrível e válido. Entretanto, se você estiver saudável o suficiente para correr, tente dar mais alguns trotes na próxima corrida. Pode ser tão excitante ver para onde essa jornada atlética vai quando retiramos as restrições que estavam nos impedindo!

Dica ruim sete: você sempre pode obter toda a nutrição necessária dos alimentos e da luz solar.

Talvez você possa! Mas por conta da pesquisa de treinamento, minha esposa/co-treinadora Megan e eu vemos muitos exames de sangue, e há muitos atletas que não conseguem. Preste atenção especial à ferritina e à vitamina D. às vezes, as folhas verdes e os raios ultravioleta não são o suficiente, e tudo bem. Se você não tiver certeza, faça exames de sangue com seu médico ou uma empresa como a Inside Tracker.

Dica ruim oito: você não pode perder o condicionamento físico em um polimento.

é verdade que seu sistema aeróbico não passará por uma remodelação fundamental em algumas semanas. Entretanto, o volume sanguíneo, o VO2 máximo, a resposta cardíaca e a eficiência neuromuscular podem se deteriorar rapidamente. é importante descansar mais, mas não apague como se fosse um urso hibernando. A maioria dos nossos atletas mantém sua frequência de corrida normal e 30 a 50% menos volume de treinamento, além de um ou dois dias de descanso a mais para ultras e também de um pouco de intensidade.

Dica ruim bônus: tênis minimalistas são melhores para a saúde e/ou desempenho.

Não acho que as pessoas deem mais esse conselho, mas vale a pena abordá-lo para o caso de alguém ficar em choque depois de ler Born To Run.

Pelo amor de tudo que é bom neste mundo, use tênis confortáveis para você, não tênis confortáveis para alguém que pode ou não ter um tendão de Aquiles funcionando em alguns anos. Coisas diferentes funcionam para pessoas diferentes.

Dica ruim nove: Morra, mas não abandone a prova

Correr não é um teste, é uma celebração.

Como disse Dani Rojas em Ted Lasso, "O psicólogo esportivo me ajudou a lembrar que, embora o futebol seja vida, o futebol também é morte. E esse futebol de morte também é futebol. Mas principalmente, futebol é vida! "

Cruzando ou não a linha de chegada, você descobrirá que está apenas carregando o que trouxe consigo durante a jornada. Ao longo do processo, você é incrível e é o suficiente do jeito que é. As provas celebram essa grandiosidade. Eles nunca vão provar nada, porque você não tem nada a provar em primeiro lugar. Corrida é corrida, não é um veredicto sobre a autoestima.

Como escutei num podcast incrível, muitas vezes é preciso coragem para desistir. Vamos comemorar esses "fracassos" também, porque corrida também é morte, mas principalmente corrida é vida!

Dica ruim dez: não se alimente nos longões

Eu diria que o treinamento em jejum está olhando para o lado errado da equação para melhorar o desempenho. Sim, pode melhorar moderadamente a eficiência energética de alguns atletas do sexo masculino. Mas, em vez disso, que tal treinarmos para melhorar tanto o resultado que um atleta pode ficar cada vez mais rápido sem mexer com as vias metabólicas sensíveis? Chegar a esse resultado maximizado sem dúvida requer abastecimento em treinos mais longos.

Porém, o mais importante é que os baixos níveis de energia ou sua pouca disponibilidade podem desencadear cascatas do sistema endócrino e nervoso e causar graves problemas de saúde. Atletas do sexo feminino estão especialmente em risco, com estudos não mostrando benefício de adaptação ao treinamento em jejum, e sim um grande risco para a saúde óssea e para o equilíbrio dos hormônios sexuais.

Minha lição: na melhor das hipóteses, correr em jejum de forma indiscriminada pode tornar os atletas mais eficientes em serem ligeiramente ineficientes. Na pior das hipóteses, correr em jejum pode causar crises de saúde.

Este artigo apenas aponta que o que funciona para você pode ser diferente do que funciona para outra pessoa. Essa variação individual pode tornar o treinamento de corrida estressante, incerto e difícil. Mas também acho que não estar 100% certo das respostas certas o tempo todo é o que torna o treinamento incrivelmente legal.
Traduzido do site OutSideOnLine.com

Fonte: OutsideOnline.com

Leia mais sobre: treino

Copyright - Marcelo Coelho