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Carta de amor ao meu lado competitivo
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sexta-feira, 19 de novembro de 2021 - 17:03
women racingPor Zoe Rom. Traduzido do site WomensRunning.com
Nem sempre me considerei uma pessoa competitiva.

Eu me sentia desconfortável em me focar muito na competição porque, aos meus olhos, eu não era boa o suficiente para reivindicar isso como parte da minha identidade. Eu sentia que não tinha coragem ou habilidade para por a competitividade para fora. Pessoas competitivas simplesmente nascem diferentes, com a autoconfiança fácil que vem de ser o garoto na aula de ginástica que conseguia fazer 16 flexões durante o Teste de Aptidão Física do Presidente, não o garoto cujo melhor evento era o Sit and Reach (eu sou boa em ficar sentada).

Quem eu pensava que era? Competitividade é para quem sabe competir!

Então, comecei a fazer provas em trilha.

Minha primeira corrida em trilha foi um show de merda. Um 10 km técnico em trilhas sinuosas de mountain bike de Ozark. Eu usava tênis de rua e caía com tanta frequência que saí andando com as mãos tão ensanguentadas que lembravam o Stigmata. Cada quilômetro era insuportável. Foi uma sequência de me pôr na trilha, depois cair, livrar-me dos densos arbustos do Arkansas e prendê-los para ganhar tempo. Eu amei cada segundo disso.

Em vez de atenção médica, fui saudada com uma salsicha e uma IPA na linha de chegada. Eram 9 da manhã. Eu sabia que essa era a minha tribo.

Terminei em primeiro lugar, sangrando e sem fôlego. Eu estava na linha de chegada, segurando meu pirralho e assistindo outros corredores no túnel de chegada, seus rostos cheios de emoções que vêm com a superação de nossas expectativas mais loucas. Ninguém se importava particularmente com o quão rápido eles terminavam, contanto que houvesse um número suficiente de high-fives e hambúrgueres para todos. Essa experiência não foi memorável por causa da vitória, ou da cerveja do café da manhã, mas porque senti pela primeira vez o gosto de habitar plenamente aquele lugar entre quem eu pensava que era e quem eu imaginava que poderia ser como atleta.

A prova em trilha me deu a oportunidade de me conectar com outros corredores, especialmente mulheres. Em vez de ver as outras mulheres como pessoas contra as quais eu estava competindo, eu as via como atletas com as quais eu estava competindo. Para que eu desse o meu melhor e atingisse meu potencial, eu precisava que elas fizessem o mesmo. Ao falar sobre minhas próprias inseguranças em torno das provas e da competição, fui capaz de me conectar com as corredoras que estavam no mesmo caminho. Estar ombro a ombro com outras atletas competindo e se esforçando para alcançar seu potencial atlético me mudou. Vê-las "subir o sarrafo" e dar tudo de si para atender às suas próprias altas expectativas me mostrou que não há problema em assumir objetivos elevados que podem não fazer sentido para os outros. Elas não tinham medo de serem vistas como competitivas, porque estavam muito ocupadas competindo. Eu poderia ser tão corajosa também?


Comecei a ver que competição e competitividade não são apenas ganhar ou perder, mas ir lá e dar o seu melhor e, ainda mais importante, mostrar o seu eu mais autêntico. Se você correr e competir forte o suficiente, acabará com todas as dúvidas ou fingimentos sobre o tipo de pessoa e corredor que pode ser. é sobre reimaginar do que você é capaz, ao lado de todo mundo.

Competir em corridas em trilha me tirou da complacência em outras áreas da minha vida. Ver corredoras como eu conseguirem coisas incríveis dentro e fora da trilha me desafiou a dar o meu melhor também, e não apenas nas provas. Levei a empolgação sobre a colaboração, ir fundo e alcançar meu potencial para o trabalho. Levei isso para os relacionamentos. E eu obtenho um pouco disso em cada corrida em trilha.

Mais importante ainda, a competição permite-me ver como outros corredores processam esses resultados inevitáveis e menos desejáveis. Assisti-los lidar com o "fracasso" com graça e autocompaixão me mostrou que eu poderia fazer o mesmo. Competir significa se abrir para o fracasso, geralmente em ambientes públicos desconfortáveis. Significa reconhecer que você quer algo muito, muito mesmo, saber que talvez nunca chegue lá e, de qualquer maneira, persegui-lo com zelo ousado. Deixar as pessoas verem isso é difícil, mas é recompensador. Compartilhar com outras pessoas torna tudo mais fácil.

Três anos depois daquela primeira trilha de 10 km, tentei correr 160 km na trilha Leadville Trail 100 (N.T: 100 milhas = 160 km). Depois de estabelecer um recorde pessoal de 80 km (dica profissional: não faça!), eu desisti com cerca de 140 km. Eu tinha espremido cada grama de mim mesma apenas para falhar de uma forma que parecia muito pública, enrolada como um burrito triste em um cobertor espacial ao lado da trilha.

Para ser sincera, acho que foi a primeira vez que competi de verdade. Eu dei tudo de mim quando nada estava garantido e o fracasso era provável. Aprendi que você pode comer uma pizza, chorar até dormir e acordar na manhã seguinte para torcer pelos outros corredores com tanta convicção e entusiasmo como se fosse você arrastando os pés até a linha de chegada. Porque em algum lugar entre a linha de partida e o DNF (N. T: DNF = Did Not Finish, ou Não Concluiu), eu aprendi o que realmente é bravura. E está em cada corredor que fixa o número de peito ou amarra os tênis e tenta ir um pouco mais longe e mais rápido que da última vez.

A verdadeira competição significa rejeitar a ideia de que é legal não se importar, e sim se importar tanto que você vai passar meses, anos, uma carreira inteira, talvez, perseguindo um objetivo que não importa para ninguém, além de você mesmo. Significa abraçar uma curiosidade infinita sobre sua capacidade e suas deficiências. Porque ser o seu melhor significa aceitar que, às vezes, você ficará aquém.

Tornei-me competitiva quando aprendi a abraçar o lugar desconfortável entre o que eu queria alcançar e as lições difíceis que tornam essa conquista significativa.

A competição é para qualquer pessoa corajosa o suficiente para aparecer e se esforçar. E estou feliz em reivindicar isso.

Fonte: WomensRunning.com

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